Sene é o laxante natural mais conhecido do Brasil, e o que mais sofre uso prolongado por conta própria. A monografia oficial reconhece a indicação — para constipação ocasional — e descreve, em detalhe, o que acontece quando o uso vira rotina.
Neste conteúdo educativo, a Farmácia Dias da Cruz apresenta o que o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição (Anvisa) descreve para o sene.
O que é
Senna alexandrina Mill., família Leguminosae — a mesma espécie que aparece com os sinônimos Cassia angustifolia e Cassia acutifolia. As partes utilizadas são folhas e frutos. Os ativos são os senosídeos.
Para que serve segundo a Anvisa
- Tratamento de constipação intestinal ocasional.
A palavra ocasional é a indicação inteira. E a monografia é explícita no oposto: não deve ser utilizado em casos de constipação intestinal crônica.
Materiais antigos de fitoterapia, inclusive os nossos, listavam sene também para afecções do fígado e da vesícula, flatulência, dores de cabeça e manchas na pele. Nada disso consta.
Contraindicações
- Menores de 12 anos, gestantes e lactantes;
- Constipação crônica;
- Obstrução e estenose intestinal, atonia, doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, colite ulcerativa), dores abdominais;
- Desidratação severa, hemorroidas, apendicite, hipocalemia, doença inflamatória pélvica, período menstrual, cistite;
- Insuficiência hepática, renal ou cardíaca;
- Pacientes com náusea, vômito ou qualquer sintoma agudo ou crônico não diagnosticado.
Esse último item é a regra de ouro dos laxantes estimulantes: dor abdominal sem diagnóstico não se trata com laxante.
O que o uso prolongado provoca
Esta é a parte que justifica o artigo. A monografia descreve, para uso crônico ou superdosagem:
- Diarreia com distúrbios hidroeletrolíticos, acidose ou alcalose metabólica, albuminúria, hematúria e principalmente hipocalemia (queda de potássio);
- A deficiência de potássio pode levar a disfunção cardíaca e neuromuscular, lentidão e inibição do peristaltismo intestinal;
- Dependência, com necessidade de aumentar a dose — podendo agravar a própria constipação;
- Redução de globulinas séricas, perda de peso e desenvolvimento de caquexia;
- Em idosos, exacerbação da fraqueza e hipotensão ortostática;
- Em casos raros, nefropatia e edema; há relato de hepatite após abuso crônico.
Também descreve a pseudomelanosis coli — escurecimento da mucosa intestinal após uso prolongado — que a monografia classifica como inofensiva e reversível com a descontinuação, e a alteração da cor da urina para amarelo escuro ou marrom avermelhado, que some ao suspender o uso.
Interações medicamentosas
- O aumento do peristaltismo reduz a absorção de fármacos orais — inclusive estrógenos e anticoncepcionais orais;
- A hipocalemia pode potencializar os efeitos de glicosídeos cardiotônicos (digitálicos) e de antiarrítmicos como a quinidina;
- Uso simultâneo com diuréticos tiazídicos, adrenocorticosteroides ou raiz de alcaçuz pode exacerbar o desequilíbrio eletrolítico;
- Pode interagir com nifedipina, indometacina e outros anti-inflamatórios;
- A cor da urina pode gerar falso positivo em testes de urobilinogênio e na dosagem de estrógeno pelo método de Kober.
Formas, doses e tempo de uso
Cápsulas e comprimidos com a droga vegetal e extratos padronizados em senosídeos. Uso adulto e infantil acima de 12 anos: 1 a 2 g de folhas ou frutos diariamente antes de dormir, ou 150 mg de extrato seco de uma a três vezes ao dia, equivalente a 10 a 30 mg de senosídeos, administrados à noite.
Contraindicado por mais de duas semanas sem supervisão médica.
Quando faz sentido manipular em Brasília
A manipulação permite a dose padronizada em senosídeos definida na prescrição — relevante em um ativo cuja diferença entre efeito e efeito adverso é justamente a dose e o tempo.
Na Dias da Cruz, fitoterápicos são preparados em laboratório próprio, com matéria-prima rastreada e dupla conferência, seguindo as boas práticas de manipulação da Anvisa (RDC 67/2007). São 4 unidades no Distrito Federal, com entrega em todo o DF.
Manipulação é feita mediante prescrição. Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do profissional que acompanha o seu caso — constipação que se repete pede investigação, não laxante contínuo.
Tem uma prescrição em mãos? Fale com a nossa equipe — Dias da Cruz · Brasília.
Fonte técnica: Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição — Anvisa, monografia de Senna alexandrina Mill.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre fitoterápico manipulado e suplemento alimentar?
Fitoterápicos são medicamentos com comprovação de eficácia e controle de qualidade rigoroso. Suplementos alimentares têm regulamentação menos exigente e não precisam comprovar eficácia terapêutica — a manipulação garante concentração padronizada dos princípios ativos.
Fitoterápicos manipulados precisam de receita médica?
Depende do fitoterápico e da dose. Muitos podem ser dispensados sem receita; outros, em doses terapêuticas elevadas, podem exigir prescrição médica ou de nutricionista credenciado.
Quais fitoterápicos a Farmácia Dias da Cruz manipula em Brasília?
A Farmácia Dias da Cruz manipula passiflora, ashwagandha, ginkgo biloba, echinacea, cúrcuma, berberina, maca peruana, mulungu, melissa e dezenas de outros em extratos padronizados.
Fitoterápico tem interação com medicamentos?
Algumas plantas medicinais têm interações com medicamentos convencionais. Informe sempre ao médico e ao farmacêutico todos os medicamentos em uso antes de iniciar qualquer fitoterápico.
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