Ginkgo biloba virou sinônimo de "remédio para memória". A monografia oficial brasileira não traz memória entre as indicações — e traz uma lista de riscos hemorrágicos que raramente aparece na conversa.
Neste conteúdo educativo, a Farmácia Dias da Cruz apresenta o que o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição (Anvisa) descreve para o ginkgo.
O que é o ginkgo biloba
Ginkgo biloba L., família Ginkgoaceae. A parte utilizada são as folhas — não a semente. É uma das árvores mais antigas do planeta, mas isso é curiosidade botânica, não argumento terapêutico.
Para que serve o ginkgo segundo a Anvisa
- Vertigem e zumbidos (tinitus) resultantes de distúrbios circulatórios;
- Distúrbios circulatórios periféricos, como cãibras.
É isso. Não há, na monografia, indicação para perda de memória, déficit de atenção, envelhecimento celular, arteriosclerose ou úlcera varicosa — todos usos que aparecem na literatura popular e em materiais antigos de fitoterapia, inclusive os nossos.
Note também o recorte: vertigem e zumbido resultantes de distúrbios circulatórios. Zumbido tem várias causas possíveis, e identificar a causa é etapa anterior a qualquer fitoterápico.
O risco que pesa mais: sangramento
A monografia lista, entre os efeitos adversos relatados em pacientes usando ginkgo isoladamente: hemorragia subaracnoidea, hematoma subdural, hemorragia intracerebral, hematoma subfrênico, hemorragia vítrea e sangramento pós-operatório. Também distúrbios gastrointestinais, cefaleia, reações alérgicas cutâneas, enjoos, palpitações e hipotensão.
Por isso a orientação prática mais importante: o uso deve ser suspenso pelo menos três dias antes de procedimentos cirúrgicos. Se você vai operar — inclusive procedimento odontológico ou estético — o ginkgo precisa entrar na conversa com a equipe.
Contraindicações
- Menores de 12 anos;
- Gestantes e lactantes;
- Histórico de hipersensibilidade a qualquer componente;
- Pacientes com coagulopatias ou em uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários devem ser cuidadosamente monitorados;
- Deve ser evitado em pacientes com crises convulsivas.
Interações medicamentosas
A lista da monografia é longa. Entre os pontos principais:
- Com anticoagulantes, antiplaquetários, anti-inflamatórios não esteroidais e trombolíticos: pode aumentar o risco de hemorragias;
- Pode diminuir a efetividade de anticonvulsivantes;
- Pode alterar os efeitos da insulina, aumentando sua depuração;
- Com buspirona ou hipérico: mudanças no estado mental;
- Com inibidores da recaptação de serotonina: risco de síndrome serotoninérgica;
- Com diuréticos tiazídicos: relato de caso de hipertensão arterial;
- Com omeprazol: diminuição do nível sérico do omeprazol;
- Com trazodona: risco de sedação excessiva;
- Com efavirenz: uso concomitante não recomendado, por indução de CYP3A4.
Formas e doses
A monografia descreve cápsula e comprimido revestido com extrato padronizado das folhas secas, contendo 22–27% de flavonoides glicosilados e 5–7% de lactonas terpênicas, com teor de ácido ginkgólico inferior a 5 mg/kg.
Esse detalhe da padronização é o que separa um produto farmacêutico de uma cápsula qualquer: o ácido ginkgólico é justamente o componente que se busca limitar. Dose oral: 120 a 240 mg de extrato seco por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas.
Quando faz sentido manipular em Brasília
Aqui a manipulação tem um argumento técnico forte: a exigência de extrato padronizado com faixas definidas de flavonoides e lactonas terpênicas. Quando a prescrição define a concentração, o preparo em farmácia permite atender exatamente ao que foi pedido.
Na Dias da Cruz, fitoterápicos são preparados em laboratório próprio, com matéria-prima rastreada e dupla conferência, seguindo as boas práticas de manipulação da Anvisa (RDC 67/2007). São 4 unidades no Distrito Federal, com entrega em todo o DF.
Manipulação é feita mediante prescrição. Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do profissional que acompanha o seu caso.
Tem uma prescrição com ginkgo? Fale com a nossa equipe — Dias da Cruz · Brasília.
Fonte técnica: Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição — Anvisa, monografia de Ginkgo biloba L.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre fitoterápico manipulado e suplemento alimentar?
Fitoterápicos são medicamentos com comprovação de eficácia e controle de qualidade rigoroso. Suplementos alimentares têm regulamentação menos exigente e não precisam comprovar eficácia terapêutica — a manipulação garante concentração padronizada dos princípios ativos.
Fitoterápicos manipulados precisam de receita médica?
Depende do fitoterápico e da dose. Muitos podem ser dispensados sem receita; outros, em doses terapêuticas elevadas, podem exigir prescrição médica ou de nutricionista credenciado.
Quais fitoterápicos a Farmácia Dias da Cruz manipula em Brasília?
A Farmácia Dias da Cruz manipula passiflora, ashwagandha, ginkgo biloba, echinacea, cúrcuma, berberina, maca peruana, mulungu, melissa e dezenas de outros em extratos padronizados.
Fitoterápico tem interação com medicamentos?
Algumas plantas medicinais têm interações com medicamentos convencionais. Informe sempre ao médico e ao farmacêutico todos os medicamentos em uso antes de iniciar qualquer fitoterápico.
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