Boldo é o chá do dia seguinte, o remédio da avó para "fígado ruim". A monografia oficial reconhece parte disso — e contraindica o boldo justamente em várias das condições de fígado e vesícula para as quais as pessoas costumam tomá-lo.
Neste conteúdo educativo, a Farmácia Dias da Cruz apresenta o que o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição (Anvisa) descreve para o boldo-do-chile.
Qual boldo tem monografia
A monografia é do boldo-do-chile, Peumus boldus Molina, família Monimiaceae, também chamado de boldo-verdadeiro. A parte utilizada são as folhas.
Isso importa porque no Brasil o nome "boldo" é usado para pelo menos duas plantas diferentes — a folha larga do quintal (o chamado boldo-brasileiro) não é a mesma espécie. Quem tem monografia é o Peumus boldus.
Para que serve o boldo segundo a Anvisa
- Colagogo — estimula o esvaziamento da vesícula biliar;
- Colerético — estimula a produção de bile;
- Dispepsias funcionais — a má digestão sem causa orgânica identificada.
Note a palavra funcionais. A indicação é para o desconforto digestivo funcional, não para doença estabelecida de fígado ou vesícula. Materiais antigos de fitoterapia — inclusive os nossos — listavam boldo para "hepatite crônica e aguda", cálculo biliar, prisão de ventre e manchas na face. A monografia contraindica exatamente alguns desses casos.
Contraindicações — leia com atenção
- Obstrução das vias biliares, cálculos biliares, infecções ou câncer de ducto biliar e câncer de pâncreas — justamente por causa dos efeitos colagogo e colerético;
- Afecções severas no fígado, como hepatite viral, cirrose e hepatite tóxica;
- Gravidez — pela presença do alcaloide esparteína, com atividade ocitóxica;
- Lactação — pela presença de alcaloides e risco de neurotoxicidade;
- Menores de 6 anos e histórico de hipersensibilidade.
Vale reler o primeiro item. Tomar boldo por causa de "pedra na vesícula" é o oposto do que a monografia orienta: estimular a contração da vesícula na presença de cálculo é situação de risco.
Precauções e limite de tempo
A monografia é objetiva: não ingerir doses maiores do que as recomendadas, e o uso não deve ultrapassar quatro semanas consecutivas. Boldo não é chá de rotina permanente.
Efeitos adversos: nas doses recomendadas não são conhecidos efeitos adversos. Acima delas, podem ocorrer irritação nas vias urinárias, vômitos e diarreia.
Interações medicamentosas
A monografia registra que não foram encontrados dados descritos na literatura consultada sobre interações com fitoterápicos à base de P. boldus. Como no caso da espinheira-santa, ausência de dado é lacuna — não é atestado de que não haja interação.
Formas e doses
Infuso, cápsulas ou comprimidos com extrato seco. Uso adulto e infantil acima de 12 anos:
- Infuso: 1 a 2 g da droga em 150 mL de água; tomar 150 mL de 10 a 15 minutos após o preparo, duas vezes ao dia;
- Extrato seco: 50 a 100 mg por dose, de duas a três vezes ao dia.
Quando faz sentido manipular em Brasília
Para o desconforto digestivo pontual, o infuso descrito acima já é a forma prevista na monografia. A manipulação entra quando a prescrição define o extrato seco em concentração específica ou associação com outros ativos compatíveis.
Na Dias da Cruz, fitoterápicos são preparados em laboratório próprio, com matéria-prima rastreada e dupla conferência, seguindo as boas práticas de manipulação da Anvisa (RDC 67/2007). São 4 unidades no Distrito Federal, com entrega em todo o DF.
Manipulação é feita mediante prescrição. Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do profissional que acompanha o seu caso — e desconforto digestivo persistente merece investigação, não só chá.
Tem uma prescrição com boldo? Fale com a nossa equipe — Dias da Cruz · Brasília.
Fonte técnica: Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição — Anvisa, monografia de Peumus boldus Molina.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre fitoterápico manipulado e suplemento alimentar?
Fitoterápicos são medicamentos com comprovação de eficácia e controle de qualidade rigoroso. Suplementos alimentares têm regulamentação menos exigente e não precisam comprovar eficácia terapêutica — a manipulação garante concentração padronizada dos princípios ativos.
Fitoterápicos manipulados precisam de receita médica?
Depende do fitoterápico e da dose. Muitos podem ser dispensados sem receita; outros, em doses terapêuticas elevadas, podem exigir prescrição médica ou de nutricionista credenciado.
Quais fitoterápicos a Farmácia Dias da Cruz manipula em Brasília?
A Farmácia Dias da Cruz manipula passiflora, ashwagandha, ginkgo biloba, echinacea, cúrcuma, berberina, maca peruana, mulungu, melissa e dezenas de outros em extratos padronizados.
Fitoterápico tem interação com medicamentos?
Algumas plantas medicinais têm interações com medicamentos convencionais. Informe sempre ao médico e ao farmacêutico todos os medicamentos em uso antes de iniciar qualquer fitoterápico.
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