O alho está na cozinha de todo mundo, e por isso quase ninguém pensa nele como fitoterápico com contraindicação. Mas o alho tem monografia oficial na Anvisa — e a monografia diz, entre outras coisas, que ele deve ser suspenso pelo menos 10 dias antes de qualquer cirurgia.
Uma ressalva importante antes de tudo: aqui falamos do alho em forma de fitoterápico, em doses concentradas. Temperar a comida com alho é outra coisa.
O que é
Allium sativum L., família Amaryllidaceae. A parte utilizada são os bulbos frescos ou secos.
Para que serve o alho segundo a Anvisa
O Memento Fitoterápico descreve:
- Coadjuvante no tratamento de bronquite crônica e asma, e como expectorante;
- Preventivo de alterações vasculares;
- Coadjuvante no tratamento de hiperlipidemia (colesterol e triglicérides elevados);
- Coadjuvante no tratamento de hipertensão arterial leve a moderada;
- Coadjuvante nos sintomas de gripes e resfriados;
- Auxiliar na prevenção da aterosclerose.
A palavra que se repete é coadjuvante. Nenhuma dessas indicações posiciona o alho como tratamento principal — e é justamente aí que mora o risco de alguém trocar a medicação de pressão por cápsula de alho.
O que a monografia não traz, e a tradição popular lista: vermes intestinais, insônia, calos, sardas, reumatismo. Nenhum desses consta.
Contraindicações — a lista é grande
- Gestantes;
- Gastrite e úlcera gastroduodenal;
- Hipertireoidismo;
- Distúrbios da coagulação ou tratamento com anticoagulantes;
- Histórico de hipersensibilidade a qualquer componente;
- Não usar em pré ou pós-operatório — deve ser suspenso pelo menos 10 dias antes de procedimentos cirúrgicos.
As precauções acrescentam: não usar em casos de hemorragia, nem em tratamento com anti-hipertensivos, nem em pessoas com hipotensão arterial ou hipoglicemia. Pode potencializar os efeitos antitrombóticos de anti-inflamatórios.
Efeitos adversos
A monografia descreve ardência na cavidade oral e no trato gastrointestinal, mialgia, fadiga, vertigem, sudorese, reações alérgicas e asma. Registra também que o uso pode causar decréscimo do hematócrito e da viscosidade sanguínea, aumentando o risco de sangramento pós-operatório e de hematoma epidural espontâneo. Desconforto abdominal, náusea, vômito e diarreia são possíveis — assim como o odor corporal característico.
Interações medicamentosas
- Varfarina: interação potencial descrita;
- Anticoagulantes orais, heparina, trombolíticos, antiagregantes plaquetários e anti-inflamatórios não esteroidais: associação vedada, por aumento do risco de hemorragia;
- Inibidores da protease: a associação pode reduzir as concentrações séricas dessa classe, aumentando o risco de resistência ao antirretroviral e de falha no tratamento;
- Clorzoxazona: pode ter a efetividade diminuída por indução do metabolismo.
Formas e doses
Tintura, alcoolatura, extrato fluido e cápsulas com o óleo. Doses descritas: tintura (1:5 em álcool 45%), acima de 12 anos, 50 a 100 gotas (2,5 a 5 mL) diluídas em 75 mL de água, duas a três vezes ao dia; óleo, 2 a 5 mg por dia; pó seco, 0,4 a 1,2 g por dia; alcoolatura e extrato fluido, 1 a 2 mL diluídos em 75 mL de água, duas vezes ao dia.
Quando faz sentido manipular em Brasília
A manipulação entra quando a prescrição define a forma e a dose — e no caso do alho isso importa bastante, porque a diferença entre o alho da comida e o fitoterápico concentrado é exatamente a dose.
Na Dias da Cruz, fitoterápicos são preparados em laboratório próprio, com matéria-prima rastreada e dupla conferência, seguindo as boas práticas de manipulação da Anvisa (RDC 67/2007). São 4 unidades no Distrito Federal, com entrega em todo o DF.
Manipulação é feita mediante prescrição. Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do profissional que acompanha o seu caso. Se você tem cirurgia marcada ou usa anticoagulante, essa conversa é obrigatória.
Tem uma prescrição em mãos? Fale com a nossa equipe — Dias da Cruz · Brasília.
Fonte técnica: Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição — Anvisa, monografia de Allium sativum L.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre fitoterápico manipulado e suplemento alimentar?
Fitoterápicos são medicamentos com comprovação de eficácia e controle de qualidade rigoroso. Suplementos alimentares têm regulamentação menos exigente e não precisam comprovar eficácia terapêutica — a manipulação garante concentração padronizada dos princípios ativos.
Fitoterápicos manipulados precisam de receita médica?
Depende do fitoterápico e da dose. Muitos podem ser dispensados sem receita; outros, em doses terapêuticas elevadas, podem exigir prescrição médica ou de nutricionista credenciado.
Quais fitoterápicos a Farmácia Dias da Cruz manipula em Brasília?
A Farmácia Dias da Cruz manipula passiflora, ashwagandha, ginkgo biloba, echinacea, cúrcuma, berberina, maca peruana, mulungu, melissa e dezenas de outros em extratos padronizados.
Fitoterápico tem interação com medicamentos?
Algumas plantas medicinais têm interações com medicamentos convencionais. Informe sempre ao médico e ao farmacêutico todos os medicamentos em uso antes de iniciar qualquer fitoterápico.
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